“A gravidez deverá ser planeada numa fase de estabilidade da doença”

Foi no dia 26 de maio que a Associação realizou o seu XII Encontro  Nacional de Doentes com Lúpus. Vários temas pertinentes estiveram em cima da mesa para ajudar os doentes a aprender com maior qualidade de vida. A Dra. Catarina Rebordão falou sobre o “Lúpus na Gravidez”, e a Associação de Doentes com Lúpus esteve à conversa com a Dra. Deixamos-lhe a entrevista com as principais respostas que as doentes precisam.

Dra. Catarina Rebordão
Dra. Catarina Rebordão

Associação de Doentes com Lúpus (ADL): Quais as contraindicações para que uma mulher com Lúpus não possa engravidar?
Dra. Catarina Rebordão (CR):
O lúpus é uma doença com atingimento de vários órgãos e sistemas. Apesar de os avanços da Medicina terem permitido a uma grande percentagem de mulheres lúpicas terem gestações com bons desfechos, há ainda situações em que uma gestação pode colocar em risco a vida da mulher, e portanto é contra-indicada. São elas: hipertensão grave na artéria pulmonar, doença pulmonar restritiva, insuficiência renal grave e insuficiência cardíaca grave. A gravidez pode também ser contra-indicada em alguns casos particulares, pelo que antes de engravidar estes planos deverão ser discutidos com o médico assistente.

ADL: E quais as indicações para “aguardar/adiar”?
CR:
Em algumas situações a gravidez não está contra-indicada para o resto da vida da mulher, mas de forma a aumentar as probabilidades de sucesso deverá ser adiada durante um período limitado. São exemplos a ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) ou exacerbação grave da doença recentes (há menos de 6 meses).

ADL: Sempre tendo em conta doentes com Lúpus, quais os principais factores de risco para adiarem a gravidez?
CR:
A ocorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) ou exacerbação grave da doença recentes (há menos de 6 meses) são indicações para adiar uma gravidez.

ADL: Assim sendo, quando se deve planear uma gravidez?
CR:
A gravidez deverá ser planeada numa fase de estabilidade da doença comprovada clínica e laboratorialmente, sem exacerbações há mais de 6 meses, e após ajuste de medicação.

ADL: Que cuidados especiais devem ter as doentes com lúpus numa gravidez?
CR:
As mulheres com lúpus devem ser acompanhadas durante toda a gestação por uma equipa multidisciplinar, em consultas de alto risco, com o objectivo de monitorizar tanto a gravidez como a atividade da doença. Devem ainda ter em atenção a necessidade de alterar algumas terapêuticas antes de engravidar, bem como em algumas vezes a necessidade de realizarem terapêutica suplementar com outros fármacos durante a gravidez.

ADL: Quais as perguntas mais frequentes que lhe fazem na prática clínica e que podem ajudar outras mulheres?
CR:
As perguntas mais frequentemente colocadas são aquelas a que respondemos anteriormente – quais as contra-indicações para uma gravidez, em que situações é que a gravidez deverá ser adiada e que cuidados especiais devem ter estas mulheres na gravidez.

ADL: Quais as principais complicações que podem ocorrer na gravidez de uma doente com Lúpus?
CR:
As gestações de mulheres com lúpus têm maior risco de complicações como exacerbações da doença, perda gestacional, restrição de crescimento fetal, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, colestase da gravidez, parto pré-termo, trombose e lúpus neonatal. Estas complicações são minoradas quando a gravidez é planeada num momento adequado e quando a terapêutica é cumprida e está ajustada.

ADL :Pode explicar-nos melhor em que consiste o CEMAIL?
CR:
O CEMAIL – Centro de Estudos da Mulher Autoimune de Lisboa, sediado no CHLC (Centro Hospitalar de Lisboa Central), e está focado nos aspetos únicos da autoimunidade em mulheres. É integrado por uma equipa multidisciplinar constituída por especialistas de diversas áreas da Medicina, que se dedicam ao tratamento e estudo de várias doenças auto-imunes de perspectivas diferentes e complementares. Tem como principal objetivo reforçar a articulação entre as diferentes consultas específicas já existentes no CHLC (Medicina, Planeamento Familiar, Preconceção, Obstetrícia, Menopausa, Apoio à Fertilidade e outras), que se irá traduzir numa otimização dos cuidados atualmente prestados e na prevenção de problemas de saúde significativos ao longo das suas vidas.

 

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