Uma equipa de investigadores conduziu durante meses o estudo TRANSfORM, uma investigação de âmbito nacional que teve como objetivo caracterizar o padrão de utilização de medicamentos corticosteroides em pessoas que vivem com Lúpus Eritematoso Sistémico em Portugal. Ou seja, o objetivo foi o de comparar a utilização real destes medicamentos com as recomendações clínicas atuais, descrever o uso de outras terapêuticas para o LES e caracterizar o perfil sociodemográfico e clínico dos doentes em Portugal.
Os resultados mostram que em Portugal, o uso prolongado de corticosteroides em doentes com LES continua muito frequente, muitas vezes acima do recomendado, reforçando a urgência de mudança de paradigma terapêutico para reduzir os danos a longo prazo.
Os resultados do estudo apontam para que um proporção significativa dos doentes:
- permanecem em tratamento além do recomendado para manutenção
- não atingem redução para ≤5 mg/dia
Esta realidade está desadequada com as recomendações internacionais atuais.
Neste retrato nacional realizado em 176 farmácias comunitárias, mais de metade dos doentes portugueses com LES encontrava-se a utilizar corticosteroides orais (56,9%), sendo frequente o uso prolongado, com 87,9% dos utilizadores a reportar tratamento por ≥3 meses.
A maioria mantinha esquemas de dose fixa (58,9%), e cerca de um terço destes excedia a dose de manutenção recomendada (≤5 mg/dia de prednisona ou equivalente), de acordo com as orientações EULAR/ACR.
A população estudada apresentou elevadas comorbilidades, cardiometabólicas e vasculares, nomeadamente hipertensão arterial e hipercolesterolemia, bem como doenças cutâneas, associadas a uma elevada prevalência de excesso de peso ou obesidade.
Este perfil é consistente com fatores de risco conhecidos no LES e poderá ser agravado pela exposição prolongada a corticosteroides, reforçando a necessidade de considerar estratégias terapêuticas poupadoras de corticosteroides sempre que clinicamente adequado.
Caracterização do estudo
O estudo TRANSfORM foi realizado em 176 farmácias comunitárias portuguesas, foram incluídos 203 doentes com LES, maioritariamente mulheres (87,2%), com idade média de 56,3 anos e idade média ao diagnóstico de 40,4 anos, refletindo doença de longa duração.
A maioria dos doentes apresentava envolvimento musculoesquelético (60,1%) e cutâneo (54,2%), com compromisso renal e hematológico/vasculítico em cerca de 20,7%.
Observou-se uma elevada percentagem de comorbilidades associadas, com 83,3% dos doentes a apresentar mais do que uma patologia, destacando-se a hipertensão arterial (43,8%) e hipercolesterolemia (34,5%), bem como excesso de peso ou obesidade em 60,1% (IMC médio 26,4 kg/m²).
A hidroxicloroquina era utilizada por 88,2% dos doentes, e o perfil clínico global evidencia uma população envelhecida, com múltiplos fatores de risco, particularmente suscetível aos efeitos adversos associados à exposição prolongada a corticosteroides.
Este projeto resulta de uma parceria entre a AstraZeneca, o ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, a Universidade da Beira Interior, o Centro de Estudo e Avaliação em Saúde (CEFAR) da Associação Nacional das Farmácias (ANF) e a Associação de Doentes com Lúpus.
Consulte o poster com todos os resultados.


